Mestres do Universo: Salvando Eternia – Dos brinquedos a necessária evolução

HEYEYEYA HAEAYEYA I SAID HEY, WHATS GOING ON?

Hoje vamos falar de He-Man, uma franquia de sucesso dos anos 70, que atualmente deve ser mais conhecida pelo meme do I SAID HEY do que qualquer coisa. Um vídeo de zoeira que brinca com o jeito mais afeminado do personagem e com um cover hilário de What’s Up, da banda 4 Non Blondes.

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Mas para os mais velhos He-Man foi um produto que marcou época, e com uma história sensacional. Talvez não no enredo do show, mas sim de como um licenciamento fracassado de Conan, O Barbaro veio a se tornar uma linha de brinquedos, então quadrinhos e subsequentemente um desenho animado. Tudo pelas mãos da Mattel.

Os bonecos de He-Man

Existia essa ideia de fazer brinquedos de bárbaros, cheios de músculos, com figuras grandes e todo um desejo de incorporar o estilo do capista Frank Frazetta (Conan, Fire And Ice) na linha. Mas com o filme de Conan saindo com classificação alta so sobrou isso, ideias e desejo. E foi o suficiente para surgir He-Man e os Mestres do Universo.

Mas com isso de produzir um brinquedo sem licença, sem background, novos problemas foram surgindo. Como vender? Qual é a história? E assim aos poucos, ideias foram se mesclando. O Castelo de Greyskull era o cenário, Esqueleto virou o vilão, os “homens” seus lacaios. Merman, Beats Man, Man-at-Arms, Man-E-Faces, Ham Man, etc. E até um artista foi contratado para tentar imitar o traço de Frazetta.

Com cada nova solução, mais custos. Assim peças de outros setes foram reutilizadas e repintadas, o modelo de He-Man era o mesmo em todos os bonecos, um dos criadores passou a fazer veículos mecânicos, pois era formado em desenho industrial, assim incorporando tecnologia no mundo medieval mágico, e assim foi indo com cada meio possível de corte de gastos, até chegar ao problema final. Tudo isso foi feito, foi gasto dinheiro, já tem material produzido. “Mas… eu não te perguntei antes? Como vender? Qual a História?” E nessa simplesmente para seguir em frente um dos responsáveis soltou “Ah, não lhe disse? Vai ter um quadrinho grátis junto de cada brinquedo”

Dos quadrinhos ao sucesso na TV

Nisso foram criados micro HQs, ainda sem foco, com os personagens em situações, mundos e até origens diferentes. Se esse início serviu para algo foi para destacar talentos como Bruce Tim (Batman: The Animated Series) e Steve Sakai (Usagi Yojinbo) e para chamar atenção. Primeiro da DC Comics que passou a fazer os quadrinhos e depois da Filmation, que produziu a série animada de 83.

Com a serie prestes a sair foi exigida colaborações entre as duas empresas, DC e Filmation, com o estúdio de animação sendo o responsável por setar de vez as regras desse universo. Assim nasce de fato o He-Man mais conhecido, com a origem como Príncipe Adam do mundo de Eternia. Outros detalhes obviamente foram arrumados para cada personagem, e inclusive é nesse ponto que surgem criações originais da Filmation, como o estabanado mago Gorpo.

Também foi nesse ponto entre quadrinho e TV que a franquia passou a ser mais diversificada. Com isso digo coisas como personagens de outras cores e etnias e mulheres fortes, e todo o resto que o pessoal hoje em dia insiste em chamar de lacração, quando sempre foi um assunto importante. He-man teve roteiristas negros e direção por mulheres, logo dá para ver o porquê tentou se passar esses aspectos.

Quanto aos momentos mais bobos, de violência amenizada e as mensagens ao final de cada episódio, isso tudo foi culpa da censura da época. He-man era considerado um show violento, apesar de não ser o caso, então teve algumas correções nessa parte antes do lançamento e as mensagens foram incorporadas para cair melhor nos olhos das associações que visavam cancelar o show.

Logo como podem ver teve um milhão de imprevistos em toda essa saga do herói do poder, mas para surpresa de muitos a linha de brinquedos foi um sucesso, os quadrinhos venderam e quando o desenho foi realmente ser lançado ouve gritos e aglomeração. Cosplayers, desfile e exibição de uma coletânea de episódios em nada mais do o famoso cinema Chinese Theatre, em Hollywood.

De She-Ra em diante

E o resto você meio que já sabe. Teve She-Ra, com o intuito de vender bonecas, mas que no fim foi muito mais que isso para toda uma geração de meninas e meninos. Saiu o detestado, mas ainda charmoso, filme Mestres do Universo em 87. E depois veio uma bizarrice de He-Mans alternativos até que a linha de brinquedos morreu. Sendo o golpe definitivo As Novas Aventuras de He-Man, um desenho dos anos 90 onde os personagens vão para o espaço.

Agora parando um pouco com essa timeline de informações, queria falar um pouco de minha experiência com Mestres do Universo. Quando eu era bem pequeno He-Man era um dos heróis que eu mais gostava, apesar de existirem opções bem mais interessantes TV. Algo do mundo de Eteria me fisgava e eu adorava personagens como o Gorpo e o vilão Esqueleto. Um entretenimento simples, que me fazia passar as manhãs de forma alegre. O que mais eu poderia querer?

Bem, aparentemente eu queria uma serie mais moderna focada em ação. Quando conheci He-Man ele era um desenho de 83, em reprise e com um visual que remetia aos anos 70. E como eu nasci perto início dos anos 90, logo descartei o herói de Grayskull por outras opções.

E então eu tive a alegria de ver um reboot da série. Eu nunca cheguei a ver Novas Aventuras, o show de 90 que parecia ser mais focado em ação, mas peguei momentos do desenho de 2001, intitulado He-Man e Os Mestres do Universo. Eu adorava essa versão. Acho até hoje o visual muito bonito, mas do nada ela sumiu. Eu assistia vez ou outra a reprise, pois não conseguia ver no horário normal. Me culpava por isso, mas hoje descobri que foi cancelado e pouco depois cortado da programação.

Com esse último desenho He-Man ficou 20 anos sem aparecer na TV. Chegou a ter linha de brinquedos comemorativa e nos quadrinhos o herói teve um sucesso relativo ainda nesse período de hiatos, mas é inegável que se manteve vivo mais nas lembranças dos fãs que outra coisa.

Hoje olho para o primeiro desenho com um pouco de nostalgia, mais pela época livre e sem afazeres, do que pelo show em si. Eu revi esse depois, nos anos 90, 2000 e até posterior a isso, e infelizmente He-Man datou de forma terrível, ao ponto de que nem mesmo o mais árduo dos fãs pode dizer que esse show se manteve. Foi bom na época dele? Ok, claro, totalmente aceitável. Mas não tem como comparar ao que veio depois.

Ainda assim continuou sendo uma serie querida e com o reboot de She-Ra pela Netflix em 2018 muitos começaram a sonhar com outro retorno de He-Man. Digo outro, pois além da série de 83, como já bem viram, o herói passou por muita coisa e voltou a ser relevante inúmeras vezes.

Ainda assim em minha opinião She-Ra ter voltado modernizado e com um visual todo novo é muito mais impressionante, e até necessário, do que outro He-Man. Só que eu não posso mentir, quando o reboot de He-Man realmente foi anunciado eu tive calafrios e o hype foi lá em cima. Eu nem gosto tanto do antigo e ainda assim a animação que foi mostrada com a música escolhida foi algo perfeito. Eu vibrei de emoção.

I GOTTA THE POWER

Mestres do Universo: Salvando Eternia

Então dia 23 de julho de 2021 finalmente o tão aguardado reboot foi lançado, e junto dele veio uma leva de reclamações, muitas pessoas surpresas e também uma serie de reviews elogiando a obra em diversos aspectos. Quase que um show 8 ou 80 eu diria, se não discordasse completamente da maior parte dos comentários de ódio em cima do desenho.

Veja bem, em parte eu entendo a reação inicial. Muitas pessoas viram o anuncio e o trailer e desejaram uma nova serie focada no herói He-Man. Daí vem a grande surpresa que mencionei. Um ponto no qual eu inclusive me encaixo, pois estava afim de ver um novo show do He-Man e me contentei com o hype do trailer, sem notar o obvio título e sem jamais buscar uma sinopse.

Não é He-Man, não é He-Man e os Mestres do Universo, e somente Mestres do Universo. Um nome que engloba toda a linha de brinquedos que deu origem a franquia, e, portanto, todos os personagens. Sendo assim decidiram não focar tanto no He-Man e deram maior destaque aos outros personagens do antigo desenho, agora com Teela assumindo o manto de protagonista, ao menos nessa parte 1 da Netflix.

O início do desenho mostra He-Man e Esqueleto lutando mais uma vez pelo Castelo de Grayskull. E olha, é algo muito, mas muito foda. Um episódio que realmente toca na nostalgia e apresenta não um reboot, mas uma continuação direta, e culmina num possível desfecho para a saga do herói do poder. E é aí que as coisas mudam drasticamente e vem a mencionada sinopse. Nela claramente e dito que He-Man desaparece e isso muda por completo o mundo de Eternia.

Na verdade, ele e o vilão Esqueleto somem, o castelo de Grayskull não tem mais tanta importância e temos um time-skip onde agora Eternia está sofrendo com uma queda no fluxo de magia e Teela eventualmente acaba indo numa jornada para restaurar o mundo como era antes com auxílio de sua nova amiga Andra e eventuais personagens da franquia, com alianças inusitadas e muito fanservice.

E como já mencionei, a parte do He-Man não estar no holofote realmente é um detalhe que pode incomodar, pois ele foi por anos o centro da franquia, excluindo somente o spin-off de She-Ra. Mas eu gostei bastante dessa mudança pois dar foco aos demais personagens do mundo era algo que precisava e acho que todos eles melhoraram muito durante essa parte 1. Portanto ao meu ver o show realmente ficou bom, e nem mesmo He-Man fica tão de fora, sendo trabalhado em pontos chaves, inclusive mostrando muito do efeito que este teve em Eternia e seus habitantes. O mesmo serve a Esqueleto, apesar que numa taxa menor, talvez por ele ter sido até melhor caracterizado no antigo desenho e filme.

Entre Teela e Andra

Deixando esses pontos de lado entramos na grande birra do momento, e sim, podem reclamar a vontade que vou colocar desta forma. Muitos reclamam em cima Teela e Andra. Além de ter a parte da Teela estar no lugar de He-Man, infelizmente muitos levam isso para o lado errado e acabam expondo opiniões machistas por ter uma mulher como protagonista. No caso da Andra e outra personagem, a qual não pretendo mencionar, o mesmo ocorre. So que com Andra ainda temos falas racistas por ser uma personagem negra. E sim, chamar de lacração esses detalhes é tão ruim quanto soltar o discurso de frente.

Não é querer lacrar, e apenas querer contar um enredo com outros personagens e 3 das mais importantes calharam de ser mulheres. Ou vai me dizer que depois de He-Man a Teela não seria a escolha óbvia? Quanto a Andra, ela tem o papel de ser a personagem menos experiente que se destaca em pontos não explorados antes. Portanto a vejo como uma ótima adição. E já que falamos dela, olha que curioso, Andra não é uma personagem nova.

A primeira aparição de Andra data dos mini quadrinhos que vinham com os brinquedos, e depois ela reapareceu algumas vezes durante outras HQs, sempre como uma personagem menor. Seu maior destaque e ter sido condecorada tenente, e no canon clássico ela conhecia Adam, Teela e Clamp Champ desde pequena. Tirando isso, a personagem antigamente era branca e nunca apareceu na animação dos anos 80 ou posterior.

Eu menciono isso pois muitos usam desse fato para novamente tentar justificar o ódio racista em cima da personagem. Sim, vai ter treta aqui amigo. Pois na boa, ninguém lembrava dela, mudar a cor ou qualquer coisa do visual altera nada de relevante, e a Andra do desenho e basicamente um novo personagem, mantendo nenhuma das características antigas, tirando o fato de ser amiga da Teela. E elas so viram amigas depois do time skip, pois como já dito a obra continua a cronologia original do desenho.

Mudanças necessárias

E está aí algo que talvez preocupe o novo espectador. Posso ver Revelantions sem saber nada de He-Man? Sim. O primeiro episódio seta todo o mito da obra, apresentando eternia, grayskull e os personagens mais importantes. Já os demais episódios retomam trechos do desenho antigo por meio de flashbacks quando necessário para mostrar a influência de he-Man e falar de outros personagens e aspectos do mundo antes do time skip.

Quanto ao estilo cringe do desenho antigo, como diriam alguns, muito é alterado, mas parte do estilo se mantem. Personagens tem um novo visual, mas não agem tão fora do previsto. As vezes tem aquelas menções ou piadas bobas para alivio cômico, só que de forma autoconsciente, e o teor do desenho ficou mais adulto. Vai ter sangue, vai ter mortes, intrigas, mentiras e até algumas palavras mais pesadas. Tudo que antes não podia devido a censura da época.

Mas eu não diria que isso faz o desenho ser algo voltado somente aos mais velhos. Não tem nada realmente pesado que faz crianças não poderem ver. Na verdade essas coisas extras são algo que moderniza a série, pois aquela formula antiga jamais chamaria atenção atualmente e de quebra se encaixa também como um tipo de fanserve para quem via He-Man na infância. Tanto que muita gente elogiou isso dizendo que era o que gostariam de ter visto antigamente. E eu, logicamente, me encaixo como uma dessas pessoas.

Conclusão

O enredo inteiro passou a ser sequencial, muito melhor trabalhado, com lutas bem divertidas, ótimo aprofundamento nos personagens e um mundo em expansão, apesar de já ter tido muitos pontos estabelecidos.  E tudo muito bem trabalhado, sendo uma serie que realmente surpreende e que eu indicaria a todos. Basta já ter ciência do plot básico com o sumiço do herói e time skip ou no mínimo ter a mente aberta para mudanças bruscas.

E assim fecho esse texto, passando por muita coisa de He-Man, dos bonecos até a parte 1 do desenho da Netflix, tirando apenas algo que talvez seja o detalhe mais esquecido do herói. Como toda grande franquia Mestres do Universo também deu a cara nos videogames, e eu vejo alguns desses jogos lá no meu canal. Logo peço que me acompanhem nessa última curiosidade lá no canal Indie-A-tom.

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