Resenha: Planetes #DiaDaToalha #OrgulhoNerd

Dia 25 de Maio. Um dia para se ter orgulho de ser nerd, celebrar grandes nomes do cinema, da literatura e do desenvolvimento de jogos. Sim, nesse dia tão especial venho até vocês amantes de mangas, e sobre tudo da cultura pop, pedir que peguem suas toalhas pois estaremos embarcando numa viagem espacial em busca do sentido da vida, porem sobe a visão de Makoto Yukimura.

Em 1999 ele estreou na revista Morning, da Kodansha, com uma obra que iria definir para sempre sua carreira. Falo de Planetes, um sci-fi focado num futuro próximo onde a humanidade alcançou o clímax da era espacial e agora sonha com viagens tripuladas de longa distância.

Ainda não existe terraformação, mas os avanços foram tantos que colonizamos a lua, colocamos diversas estações ao redor do globo e nunca foi tão grande o trafego de veículos aeroespaciais, sejam em viagens de ida e volta a terra ou navegando pela escuridão do espaço.

Esse investimento monstruoso foi algo necessário devido à escassez de recursos presentes na terra e o constante aumento da poluição. Chegamos em um momento da história que a exploração da via láctea se tornou algo fundamental para a sobrevivência dos seres humanos.

Mas já pararam para pensar no que acarretaria uma migração tão grande? Nosso passado nos condena, pois a cada novo passo que damos nossa civilização deixa marcas irreparáveis na natureza. Agora a preocupação não é apenas com o aquecimento global, mas também com a síndrome de Kessler.

Colocando de maneira simples, quando um objeto é destruído, ou lançado sem rumo no espaço, ele passa a ser denominado como escombro. Um desses escombros, por menor que seja, pode causar danos irreparáveis a outros objetos, assim gerando mais escombros.

Agora imagine que isso continue ocorrendo, repetidamente, como um efeito domino. Logo teremos uma nuvem de escombros, dos mais diversos tamanhos, que se move e se multiplica rapidamente. Algo similar ao mostrado no excelente filme Gravidade.

Porém, no futuro mostrado em Planetes o número de objetos presentes no espaço é mais que o triplo do atual, o que geraria um efeito em cadeia monstruoso, assim impedindo por completo o fluxo de naves. Basicamente seriamos envolvidos por uma gigantesca bola de escombros.

Encarregados de impedir que isso ocorra, de maneira quase ínfima, está a tripulação da Toy Box, formada por Hachimaki, Yuri e Fee. Esses 3 carismáticos astronautas trabalham no serviço de recolhimento de escombros, isso é, quando não estão brigando entre si.

O enredo é episódico e cada um dos capítulos retrata um personagem diferente. O Russo Yuri é o eterno apaixonado, sempre em busca de algo que compense a perda de sua mulher. Ele também age como o adulto do grupo e apesar de calado sempre aparece no momento certo de dar um conselho.

A corajosa e experiente americana Fee, além de ser líder do grupo, nos coloca próximos dos perigos da guerra e do terrorismos, além de fazer o papel de rebelde ao mesmo tempo que lida com a distância da família e levanta questões sobre o racismo.

Concorrendo a vaga de personagem principal, por maior tempo de exposição, se encontra o japonês Hachimaki. Esse jovem sonhador busca preencher algo que não entende com a beleza e o vazio do cosmos, sempre se questionando se deveria realmente estar ali. Basicamente, filosofando sobre o sentido da vida.

Inicialmente o foco era mostrar o ambiente hostil proporcionado pela falta de gravidade e diversos outros fatores. Des de atrofiamento muscular até mumificação e doenças mentais. Então entramos numa fase mais voltada ao cotidiano e ao terrorismos espacial.

Em meio a isso surge uma nova personagem, a inocente Tanabe. Uma garota que está no espaço apenas para delinear qual o seu limite. Por ser guiada pela convicção que o amor rege os seres humanos acaba entrando em conflito constante com Hachimaki.

Seguindo com a história entramos no arco final, onde o foco muda por completo para Fee, assim apresentando um encerramento à primeira vista bonito, regido por What a Wonderful World. O ponto final se dá por um comovente discurso de descoberta, tanto cientifica quanto pessoal.

Para muitos isso será um grande ponto negativo. Primeiramente, Hachimaki deixa a cena. Os outros personagens mal aparecem e o desenvolver se torna corrido, como se o autor estivesse tentando acabar a obra antes de um prazo final, talvez de cancelamento.

Por outro lado ele pode ter ficado sem ideias ou entediado com sua própria criação. O importante é que acaba com um final fechado, não é? Bem, depende do ponto de vista. Faltou um reencontro entre os personagens. Tudo isso fica como off-screen, já que existe uma promessa para tal.

Mas seria esse realmente o caso?

Nos parágrafos seguintes vou entrar mais a fundo no enredo e para isso vou precisar citar fatos importantes, os ditos spoilers. Logo, para não estragar seu entretenimento, sugiro que retome a leitura desse texto apenas quando tiver finalizado o manga.

Como disse anteriormente, que final bonito. Durante boa parte do manga Hachimaki tem visões de que sua vida está para acabar e que o fim será no espaço. Tanabe, sua esposa, também teve sinais disso e constantemente a existência de um deus piedoso é negada pelo autor.

Até ai ok. Ficam sendo apenas momentos que nos induzem a pensar que vai ocorrer uma tragédia. Espera, mas não foi isso que aconteceu? Enquanto a Von Braun estava a caminho de Júpiter uma guerra se iniciou no espaço, devido a uma bomba que matou tripulantes americanos.

Todos os astronautas evacuaram para a terra, pois a destruição causada concretizou a síndrome de Kessler, assim impedindo tanto a ida para o espaço como a volta para a terra. Agora pense o seguinte. A guerra acaba, o planeta e cercado por escombros e toca Louis Armstrong enquanto Hachimaki e cia estão em outro planeta e possuem recursos limitados.

Sim, eles morreram. Foi uma vitória para a ciência, um momento histórico, mas sem retorno. Eles foram Guskou Budori. Ao menos, essa e minha visão sobre o encerramento. What a Wonderful World.

Texto publicado originalmente em 25/05/2015

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