Blind Alley – Diálogos afiados, comédia e mistério

Quando descobri a respeito sobre Blind Alley as primeiras comparações que eu vi foram com Peanuts e Calvin e Haroldo, provavelmente por serem os exemplos mais famosos de tiras com crianças como protagonistas. E bastou isso mais a arte de Adam de Souza para me fazer ir atrás desse web comic.

Devo dizer que a escrita de Adam também está afiada e muitas tiras de fato me lembraram Peanuts, ou caso não esteja familiarizado, o quadrinho de Charlie Brown e Snoopy, entre outros personagens icônicos. Só que por mais que lembre, Alley ainda se mostra bem diferente e com trejeitos únicos bem divertidos.

Em alguns pontos a obra me lembrou Mafalda ou Turma da Mônica. Pois o foco é sempre em crianças, muitas vezes em situações engraçadas ou com diálogos pouco comuns a faixa etária. Algo que vai desde contemplar vida e morte, até verdades de criança ditas como sendo… bem, verdades.

Porem dessas 2 comparações e também sobre Calvin e Haroldo, a única coisa que remete é um texto ou outro. Pois a grande inspiração realmente parece ser Peanuts, no mais talvez pegando as crianças de 20th Century Boys ou séries similares. Ou seja, Blind Alley também é mistério.

E sim, eu sei, parece ser algo bem estranho para esse tipo de material, mas funciona brilhantemente. As tiras parecem ser bem separadas em temática, mas boa parte delas acaba sendo completada ou referenciada em tiras posteriores. Desde um roubo de uma revista se tornar uma leitura seguida de tentativa de fanzine, até eventos envolvendo câmeras escondidas e possíveis monstros.

Logo as tiras sem essa ligação acabam se tornando uma espécie de apresentação dos personagens, caracterização futura de trejeitos ou alguma forma de crescimento. Sendo esse último outro ponto bem corriqueiro na obra. Não colocaria como coming of age ainda, mas é inegável que os personagens evoluem ao decorrer do enredo.

No geral Blind Alley é uma leitura muito prazerosa que passa bem rápido, apesar de já ter ultrapassado 100 capítulos. No momento ainda se encontra em publicação, mas eu não podia deixar de pegar e recomendar essa hidden gem. Sendo uma das obras mais legais que li esse ano, apesar de ainda ter muito em aberto desses mistérios e afins.

E eu sei o que deve estar pensando sobre o autor, mas Adam não parece ser brasileiro. Blind Alley e demais publicações estão em inglês e no “about” de seu site tem uma linha afirmando que ele mora em Vancouver, Canadá. Portanto imagino o nome vir de algum parentesco com pessoas que nasceram onde Souza é um sobrenome comum. Não necessariamente Brasil.

Ainda assim o preço de Blind Alley parece bem-adaptado a nossa realidade. Sim, as tirinhas são lançadas gratuitamente no site oficial, porém existe um Patreon por 15 reais que permite ver as tiras do mês antecipadamente, além de outros bônus. Já em publicação física, existe um encadernado do primeiro ano de Blind Alley, mas apenas em sites de língua inglesa, com um preço mais salgado e que parece estar esgotado em muitos lugares.

E se você estiver muito aflito com a espera por novos capítulos, recomendo reler as tiras. Talvez não de imediato, mas certamente e algo que ajuda a captar todas essas ligações fantásticas e contribui muito pra vibe de mistério da série. Além de deixar claro que Blind Alley foi muito bem pensado e não apenas jogado e montado aos poucos, por mais que certas tiras pareçam estranhas na primeira leitura.

Se curte as tiras citadas ou elementos apresentados, pule dentro dessa é vá ler Blind Alley. Mas opte mais pelo teor de comédia do que pelos mistérios, pois ainda tem muito a ser introduzido nesse ponto. E quando Alley estiver completo, prevejo algo absurdamente fantástico.

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