Resenha: Kokou no Hito – Drama nas alturas

Recomendar um favorito é difícil. Eu penso em reler as vezes, mas nunca faço, pois quero preservar a experiência inicial e ao mesmo tempo não quero deixar nada de fora do review, o que por vez anula o que acabei de dizer. E isso é so o começo…

Eu quero falar de tudo, contar cada detalhe, discutir final, clímax, reviravoltas e spoilers mil, enquanto não quero citar nada pois eu gostaria que você tivesse a mesma experiência de leitura que eu, o que no caso de Kokou no Hito é basicamente mergulhar cego numa obra prima.

Kokou no Hito, ou The Climber, conta a história de Buntarou Mori, um jovem que acompanhamos desde a escola até este se tornar um alpinista profissional, passando por toda sua vida, ao ponto de que uma das minhas páginas favoritas da obra e ele literalmente gritando o nome de casado em algo que fora de contexto e apenas bem desenhado, mas que guarda um impacto tremendo quando lido em contexto.

Um ponto que eu poderia associar a praticamente todas as páginas da obra e sem nem ao menos achar que isto seja um exagero. Certamente é meu favorito, mas o ponto e que kokou no Hito é uma daquelas obras que não para, jogando no leitor um cenário impactante atrás do outro. Seja por tirar o folego com belas montanhas, por mostrar o desafio extremo do alpinismo ou por mergulhar quem lê numa toca de coelho.

O mangá é bastante sério, mostrando o esporte de maneira extremamente crível e trazendo um drama forte daquelas que costuma ser comparado a um soco no estomago. Isso passando por solidão, traição, desejo, e tudo que é sentimento imaginável. Mas o ápice mesmo é quando os autores jogam tudo no reino do surreal, trazendo situações de cair o queixo e repletas de significados.

Como já bem disse, estas sem o contexto do mangá trazem um impacto bem diferente daquele proposto na obra sequencial. É algo que somente lendo e refletindo e absorvendo que se pode chegar ao máximo do impacto, e talvez nem mesmo numa primeira leitura ou pensamento, tamanho o surrealismo aplicado.

Mas eu não diria que são de difícil compreensão. Estas são tranquilas de se entender à primeira vista, mas talvez não trazendo todos os significados propostos, entende. Algo que parece ínfimo nesse quesito de complicação se comparado a estrutura da obra como um todo.

Isto pois Kokou no Hito segue uma sequência de acontecimentos irregulares, onde passado, presente e futuro se misturam. Até existe um certo auxilio ao leitor vindo de pequenas datas em quadro, mas por se tratar de uma mistura continua e rápida estas podem não dar a ajuda necessária.

Eu diria que por conta disso Kokou no Hito é uma obra que exige que se preste o máximo de atenção e que seja lida de forma continua para uma melhor experiência. Talvez o maior ponto negativo de um título que considero simplesmente perfeito, e que vou continuar a considerar assim. Pois não consigo ver esse estilo de leitura como sendo maçante, apesar dos 170 capítulos.

É um pouco difícil de explicar, mas basicamente vejo cada um dos arcos como um hype continuo que cada vez aumenta. Não é um simples HQ de esporte com imagens bonitas e drama. É algo mais. Uma experiência única, a qual jamais vi em outro lugar. O ápice de tudo aquilo que me deixa fisgado. É drama, ação esportiva, bons diálogos, ótimos personagens, e um enredo frenético de tirar o folego. Tudo combinado a esse belo traço e páginas extravagantes.

Sei que não é uma leitura para todos, apesar de minhas afirmações. Certamente é uma obra difícil e que pode vir a exigir muito, além de obviamente ser de um gênero e estilo que não agrada a todos. Compreendo esses detalhes, e mesmo assim não consigo deixar de recomendar Kokou no Hito a todos.

Apenas reserve um tempo, tente ler o início, ignore o fato de ser um mangá de um esporte tão incomum. De uma chance e depois volte aqui para me dizer se não foi uma leitura que valeu a pena. Não garanto que será seu favorito, não recomendo ler com hype, e ainda assim espero que no mínimo possa aproveitar esta bela arte e encontrar uma leitura agradável.

Mergulhe às cegas e saia no topo!

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