Resenha: Mars – Mechas do apocalipse

Falar de Mars sem contar detalhes muito a frente e realmente difícil, e eu acho que a capa do primeiro volume da obra exemplifica isso muito bem. Um garoto pelado no meio de uma erupção vulcânica. Afinal, sobre o que se trata esse mangá?

Sem ler uma sinopse você provavelmente ficaria à mercê de um enigma, tal qual os personagens da obra. Iria pensar que talvez se trate de algo na pré-história ou o enredo de um naufrago, no máximo cogitando poderes sobre fogo ou lava. Mas certamente estaria curioso o suficiente para ir atrás de mais informações.

A parte do naufrago no início parece relativamente certa, mas com uma pequena reviravolta. No começo de Mars uma ilha japonesa entra em erupção e um repórter encontra um jovem pelado no local, sem memória. E pior ainda. Essa ilha é longe da costa, inabitada, sem recursos para sobrevivência e está numa situação caótica devido ao vulcão. Não deveria existir vida lá.

Assim começa o mistério de Mars, e pensando nisso talvez a capa do primeiro volume faça um pouco mais de sentido. É tudo um grande mistério, mas me permita dar uma pequena luz nos acontecimentos seguintes se isso não já lhe tiver despertado interesse em ler.

Mars aparentemente não é humano. Talvez um alien ou cyborg, e o simples fato dele acordar libera gigantes. Monstros de metal, ou mechas se preferir, semiconscientes, sem pilotos. Primeiro vem Titan, para observar o mundo, depois vem gaia, para dar o julgamento final. Pois o simples fato de Mars acordar é o sinal para que ocorra os preparativos do fim do mundo.

Mas existe um porem. Ele perdeu a memória e agora vive entre os humanos, relembrando partes, fechando seguimentos corrompidos com novos aprendizados. Diria que se tornando a cada novo passo mais próximo de um humano. E assim Gaia passa de destruidora a protetora, do garoto e eventualmente da humanidade.

Isso pois existem mais seres como Mars, que se lembram da missão, cada pilotando um mecha intitulado de deus. Os seis deuses, prontos para trazer o apocalipse, pois Titan, o primeiro gigante, foi destruído perante o potencial bélico da terra. E agora, como Mars e Gaia não querem cooperar, se o garoto ou o robô forem exterminados o mundo é destruído, mas se eles não lutarem, os deuses darão cabo de exterminar a todos.

E amigos, isso é apenas o começo, uma parte ínfima de um grande sci-fi, que termina com uma das páginas mais impactantes que se possa imaginar. Um enredo repleto de mistérios, bastante criativo e com um ritmo rápido, onde os acontecimentos vão escalonando de maneira absurda ao decorrer do mangá.

Muito mais que uma obra sobre robôs gigantes, Mars é uma mensagem do autor Mitsuteru Yokoyama sobre os males do potencial bélico que possuímos, da guerra e da natureza humana. Algo presente durante todo o enredo, ilustrado de maneira bem impactante, apesar de não ter o gore de algumas obras mais modernas.

Eu pessoalmente acho que vale muito a pena a leitura, mas é nessa parte que talvez você encontre um empecilho. Acho o mangá bem bonito, mas é um traço antigo e vai existir sim alguns pontos mais datados. É inevitável para algo escrito em 76. Mas ainda assim peço que faça uma força e tente ler, até porque é algo bem curto e sem dúvida um dos clássicos de uma era.

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