[Corrente de Reviews 2013] Resenha: Centaur Worries

Bem vindos a essa nova edição da Corrente de Reviews onde o Judeu Ateu do blog Mangas Undergrounds, justo ele que e sempre bonzinho com todo mundo, teve a cara de pau de me indicar um Moe! Ok, zuera, conheço bem o Judeu, o cara já tinha me indicado mais de uma vez o manga no Twitter (junto do Rubio, obvio), e assim que recebi o e-mail do Diogo falando o que deveria ser resenhado eu já tinha certeza de quem era a culpa.

Minha única alegria e que o Judeu esta tendo de resenhar sobre Genshiken, e se não falar algo bom sobre o manga e capaz dos caras do Anikenkai comerem o nariz dele frito na manteiga!

Ok, agora vamos ao post desse belo manga!

No inicio eu fiquei realmente um pouco receoso com isso tudo de o manga ser Moe, e pior ainda, escolar! Cara eu geralmente detesto os mangas escolares que pego pra ler. Outro fator que me preocupou um pouco e as características nos personagens lembrar um Furry.

Para quem não sabe Furry são aqueles animais desenhados com corpo humanoide, assim como ocorre no conceito de Licantropia, comumente utilizado em RPGs, mas com a diferença de ser algo mais focado na beleza e na perversão das personagens, geralmente do sexo feminino, o que poderia caracterizar a chance de um possível ecchi estar presente na serie. Por sorte o ecchi apresentado não é algo ofensivo, e ocorre em tão poucas cenas que nem pode ser caracterizado como um dos gêneros da obra.

Já a parte escolar é muito bem trabalha, graças a suas personagens que fogem ao famoso clichê onde cada estudante e caracterizado por uma forte elevação de uma determinada característica de sua personalidade.

Isso geralmente é utilizado não só para diferenciar certos personagens, mas também para dar destaque a outros assim difundindo ao leitor sua maior importância no enredo, mesmo que este seja o enredo de um capitulo, arco, ou historia.

Em Centaur Worries as personagens apresentam uma personalidade sem elevações, assim as tornando mais próximas da realidade e do leitor em si. Isso soa até um pouco estranho, já que estas possuem características de seres mitológicos, assim como o próprio mundo em que elas vivem é inteiramente regido por este tema.

Porém, tal fator não atrapalha em nada e faz até contribuir para que o leitor se apegue ao manga, já que este é escrito nos mais mínimos detalhes e consegue te explicar com clareza as diferenças deste mundo para o nosso, assim nos vendendo uma das ideias mais bem construídas que já vi passar pelas páginas de um manga.

O autor se importa não apenas com o presente da obra, mas se dá o trabalho de nos mostrar como o passado culminou nos acontecimentos mostrados no presente, além de muitas vezes ate entrar em temas políticos e sociais, como a diplomacia e o racismo.

Mesmo assim o manga não apresenta um clima pesado como tantos outros, o que pode ser um excelente diferencial para aquele que buscam um título mais maduro porém sem sair de sua zona de conforto.

Alguns podem até questionar a maturidade do título por este apresentar um estilo mais jovial, devido a natureza de seu plano de fundo escolar. Porém devemos sempre lembrar que por mais que o autor busque inserir temas mais maduros a obra em si é focada em jovens.

Diria até que por mais que este esteja inserido na demografia Seinen o manga aqui apresentado é muito mais voltado para o publico feminino em diversos aspectos, já que nenhum garoto até o momento ganhou um papel relevante, sem contar que não ocorre a tão famosa e criticada sexualização.

Elas são ótimas personagens, cada uma com o seu charme, e apesar de o manga apresentar um foco muito maior no Plot-driven, se é que posso colocar a construção de um mundo como tal, não podemos descartar a participações delas como um dos pontos altos do manga.

Talvez a parte do manga que venha a puxar mais a atenção para as personagens seja o Coming of Age, ou, chegada da vida adulta. Ainda pode ser um pouco cedo para falar disso, mas eu acho que é este o rumo para o qual o manga esta indo, mesmo que a passos bem curtos.

O ritmo não é um problema e até ajuda a nos mostrar melhor como ocorre uma verdadeira passagem a vida adulta sem ter de se utilizar de fortes cargas dramáticas para acelerar o processo.

Uma parte que gosto muito desse Coming of Age é o uso não só das adolescente como também de seus parentes mais novos, assim entrando na parte onde podemos ver melhor a influência do Moe nesta obra.

As crianças mais jovens, que muitas vezes ganham amplo destaque em capítulos com o foco unicamente nelas, conseguem derreter de tal forma ate mesmo os corações mais congelados. Eu mesmo não sou um fã de Moe por achar garotas mais velhas agindo de forma muito infantil como algo forçado, mas quando isso se volta para crianças agindo como crianças eu não consigo deixar de achar fofo.

O Coming of Age da para ser visto com mais clareza nelas também, uma vez que o amadurecimento e o crescimento das crianças ocorre de uma forma mais rápida do que a de um adolescente.

A parte que mais me toca e quando as duas áreas se juntam e vemos garotas mostrando o seu lado mais materno. Gosto dessas partes pois eu praticamente tive de criar o meu irmão sozinho, por ausência de meu pai, e acabo me identificando, apesar de eu ser homem.

Na verdade ser homem não faz o manga perder nada em sua força, pois existem tantos temas sendo discutidos, sem contar que a sensação relaxante que uma obra assim exerce deve ser algo universal.

E por falar em universo, acho melhor tentar exemplificar um pouco como ele é mostrado, inicialmente, no manga.

Neste mundo fictício existem 5 grandes raças, os centauros, parte homem parte cavalo, os anjos, humanos com asas, os diabos, humanos com asas de morcego, rabo e orelhas élficas, as criaturas de chifre e as criaturas de orelhas. Não sei bem como traduzir estes dois últimos.

Além desses temos raças menores como as sereias, humanoides com parte inferior de peixe, e os Antarctian, humanoides com cabeça similar a de uma serpente. Este ultimo apresenta grande destaque na obra por ser uma raça até a pouco tempo desconhecida. Ainda são citadas raças ficcionais e extintas.

Cada uma dessas raças apresenta costumes, cuidados e leis diferentes, com exceção das 5 principais que apresentam leis similares. Fora isso, ainda existe a divisão por países, e esta é feita exatamente como a nossa, tendo cada pais costumes e leis diferentes, em sua maioria, apesar de parecer que as leis raciais são aplicadas ao mundo inteiro.

Essas raças também apresentam as mais diferentes necessidades especiais, como moradia, transporte, ou até mesmo corte de cabelo. Não vou entrar muito nesta parte pois a graça do manga esta exatamente em ver como essas características são apresentadas ao decorrer da obra.

Antes que me esqueça, vamos falar do belíssimo traço do autor. Em sua maior parte ele apresenta um traçado mais delicado, lembrando o apresentado em obras josei, porém sem perder suas características de seinen, que por vez são amplificadas em desenhos mais complexos e de traçado forte, geralmente apresentando algo com fator histórico ou um momento de maior destaque.

Por vezes não pude deixar de compará-lo ao fantástico Haibane Renmei, do Yoshitoshi Abe, apesar dos traços serem um tanto quanto diferentes.

Sugiro fortemente lerem este manga, que apresenta um ritmo muito agradável, temática diferenciada e interessante, personagens bem trabalhados e um coming of age no ritmo que realmente este deveria vir.

Infelizmente para a aqueles que preferem ler em uma tacada só esta obra não se encontra completa, muito pelo contrario, acaba de começar e apresenta apenas 5 volumes fechados no momento. Porem não acho que seja uma perda começá-lo por agora já que suas historias são episódicas, o que deixa a leitura muito mais leve e descompromissada.

Espero que tenham curtido o post, e não deixem que conferir o texto sobre Freendom no blog Akahon. Indiquei Freedom por ser um trabalho menos conhecido de ficção cientifica e que teve a participação de Katsuhiro Otomo, o criador de Akira, no design e no storyboard do OVA.

Texto publicado originalmente em 18/08/2013

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