Sim, existe política nos games, muita política, e também tem jogos com esse fato mais escancarado. O próprio título é auto afirmativo, mas não basta. Se tem quem não enxergue X-Men como uma representação de minorias, imagina o gamerzinho padrão cego por gameplay. Temos de reforçar.
A gente precisa sim estar ciente destes pontos, para fomentar a nossa posição política, independente de qual seja. Eu mesmo me declaro atualmente como de esquerda, e acredito que parte dessa minha visão venha de games, filmes e mangás, que são as mídias que eu mais consumo. Fora que um enredo com trejeitos políticos só faz a obra ficar ainda mais rica.
Pense comigo. O que em quesito de enredo é mais interessante, Pac-Man que é puro arcade focado mesmo no gameplay e quase que somente nele, ou Metal Gear, God of War, Persona, Halo, Fallout, etc? Games que apresentam história ao jogador, às vezes constantemente, e que colocam ali política o tempo inteiro. Você pode não notar, mas está sempre ali.

Esses são exemplos mais de triple A, os grandes da indústria, e alguns que acredito serem bem óbvios de se notar. Mas no mundo dos indies também existem desses aos montes, por vezes no enredo, outras no diálogo, placas, cenários, músicas, ações. Muitas vezes com tudo isso interligado, e o gameplay não fica de fora.
Por isso resolvi juntar aqui alguns indies que tem muita política em seu DNA. Para mostrar que games também são uma mídia válida para isso, e que o papinho de jogar só pelo gameplay tá meio que ultrapassado. É um limitador a experiências, e eu não sei você, mas pra mim quanto mais games eu puder jogar melhor.
E antes de começarmos, estrutura de top, mas é sem ordem. Só coloquei o texto da forma que fui lembrando, ok. Dito isso, só bora.
1- Punhos de Repúdio
Eu vou deixar aqui o meu vídeo sobre o game na íntegra, pois acredito ser muito bom e relevante aqui. Mas vou explicar meu ponto de incluí-lo abaixo.
Punhos de Repúdio é um beat em up brasileiro, criado em plena Covid. Se você não passou por esse período, o resumo é que uma pandemia afetou o mundo, matando milhares de pessoas, e as que sobreviveram tiveram de se adaptar a uma nova rotina onde não podíamos sair de casa, tinha de lavar as mãos a todo segundo, nunca encostar no rosto e usar máscaras.
Eu descrevo isso em parte para quem ver esse texto no futuro, pois meu sobrinho mesmo não tem ideia do que foi a covid e textos perduram. Mas também porque é um fato extremamente relevante aqui. Punhos de Repúdio retrata essa época, apesar de que sob uma ótica de ficção histórica, um artifício bem comum para se criar tramas.
Ficção histórica é o ato de pegar um acontecimento real, grande, e modificá-lo em prol de fazer meio que um “What if?”. Referências à parte, pense na famosa série Wolfenstein. Nela os nazistas venceram a segunda guerra mundial, e isso serve de pretexto para acompanharmos o espião B. J. Blazkowicz. Não vou entrar muito mais em detalhes, mas notasse facilmente a mudança e o teor político de resistência.

Em punhos de repúdio a alteração histórica vem daquilo que a Covid causa, principalmente, com outros trechos imitando muito de perto a realidade, como é de costume no gênero. Covid transforma as pessoas em monstros grotescos, e o presidente do país, uma representação cartunesca clara de Jair Bolsonaro, faz de tudo para que a Covid se espalhe.
Voltando a parte de contexto, falando do real da época da Covid, Bolsonaro achava a doença “apenas uma gripezinha”. Ele insultou e humilhou doentes em rede nacional e fez completo descaso do que estava acontecendo. Era mais importante trazer viagra pros militares do que fechar um acordo para a vinda das vacinas que poderia ter salvo milhares. E ocorreu uma insistência anormal no uso de Cloroquina, um remédio de tratamento de malária, tipicamente usado em garimpos. Nada dessas ações fazia sentido, e eu mesmo conheço pessoas próximas, e famosos que eu tinha apreço, que vieram a falecer de Covid, em parte por esse descaso. E isso gera raiva, muita raiva.
No topo disso, os auto intitulados Bolsonaristas, políticos de extrema direita e seguidores sequelados, andavam pela cidade sem máscara e cuidado zero, como se fosse dever deles agir na contramão, assim espalhando ainda mais a doença. Eu mesmo tive de trabalhar no começo da Covid, e nisso vi muita gente agindo dessa forma completamente irracional.

Logo a Covid em Punhos de Repúdio transforma em monstro aqueles que já eram apoiadores de Bolsonaro. É uma alegoria clara. Eles viram zumbis que só sabem sair pelas ruas usurpando as cores da bandeira e pregando ladainha. Os tiozões da fake news, só que colocados num cenário mais sci-fi e de terror. Como se já não fosse terror o suficiente tudo que eu mencionei.
E isso num beat em up. Com toda a raiva acumulada, as heroínas da trama resolvem sair nas ruas munidas de luvas de borracha, máscara e produtos de limpeza, assim tacando porrada em cada um desses vermes grotescos. Não em quem representa os doentes da doença real, mas sim da covid fictícia, que representa o bolsonarismo. Fora tantas outras referências a coisas ruins dessa época.
Bato palmas pela coragem de quem fez o jogo, um produto mais do que necessário, que eu apoiei no financiamento. E que eu agradeço também por servir de um encapsulamento poderoso, uma forte mensagem e um ótimo brinquedo para aliviar, nem que só um pouco, todo o estresse pelo qual passamos.
2- Steam World Heist

Parte da série Steam World, o game Heist se passa num futuro longínquo. Nela só temos robôs steampunk, mas existiram humanos no passado. Isso volta aos games Dig, parte da franquia, mas a ideia é que eles destruíram o mundo, o transformando num deserto, e sobrou apenas as máquinas.
Só isso já trás um teor político, mas Heist vai além. Nesse você controla um grupo de piratas em um gameplay de estratégia por turno 2D, muito foda e com base em ricochete. Sério, diverte um bocado. Mas o que mais me pegou foram as músicas, as quais complementam o enredo.
No começo você pensa que se trata apenas de um grupo de piratas, o que é normal. Muitos games adentram fundo nessa fantasia, às vezes sem delinear claramente se são herois ou vilões. Heist dá essa vibe por um tempo, mas à medida que avançamos tudo fica mais claro. Nesse mundo a pirtataria é uma forma de sobrevivência, daqueles deixados de lado pelo império, e você acaba se envolvendo demais ao ponto que a única saída é a revolução.

Durante sua trajetória no espaço você constantemente para em bares, pousadas e afins. E é nesse ponto em que entra a Steam Powered Giraffe. Esse é o nome de uma banda real, que mistura folk rock com pop e vaudeville. Seus sons sempre contam uma história, e no jogo não podia dar outra. Nesses locais tem sempre uma banda tocando, e preste atenção, pois boa parte do enredo é com eles.
A representação robótica dos membros da banda tocam músicas com letras que descrevem o “nascimento” de um robô, o vasto espaço, amor, trabalho, solidão, conflito e herois. Mas o que mais me impactou foi um som intitulado “The Red Queen”, que é extremamente político e pra mim resume totalmente a experiência de Heist.
NO MORE QUEEN
NO MORE QUEEN
No more rules, no more fools
Everybody scream
NO MORE QUEEN

A letra não possui nada muito acima disso e risadas, salve trechos que novamente complementam o enredo. Tanto dos piratas como da banda. Mas é algo eufórico, que te deixa num estado absurdo de felicidade por conta do ritmo e da alegria transmitida. “Não temos mais rainha, nem regras, nem tolos, você vai temer nossos nomes. Abaixo a rainha, a rainha vermelha sanguinária. Abaixo aos monarquistas e suas máquinas.”
Isso representa o ápice, a virada. Um grupo marginalizado que foi em revolta e conseguiu novamente seus direitos, apesar de sacrifícios no caminho. Um conto sobre piratas e rainhas, que claramente fala mal do monarquismo, mas que também pode servir para refletirmos sobre tempos modernos.
Basicamente o combate contra fascistas, que pegam o poder e o deturpam, transformando o que outrora era algo bom, como a comunidade unida de Dig, e fazendo o “bem” apenas para poucos e privilegiados, colocando a margem boa parte da sociedade. Não podemos deixar que esse tipo de coisa ocorra, e Steamworld Heist serve como um bom aviso, apesar de toda a roupagem sci-fi fantástica.
3- The Stanley Parable

Não, sério, me escuta aqui. “Essa é a história de um homem, chamado Stanley.” O jogo inicia com uma narrativa descrevendo o trabalho e vida de Stanley. Funcionário 427. Ele está feliz. Feliz em ficar num cubículo cinza, em um trabalho maçante de apertar botões em sequências ditas em uma tela. Um completo zumbi, pra não dizer escravo do sistema. Um início político.
“Ah, mas o jogo é um monte de paródias…” e existe algo mais político do que parodiar algo para expor um ponto? Stanley é a definição de um acomodado que não liga pra nada, apenas segue uma rotina incessante, isto é, até o ponto que isso é removido. Ele não se levanta para realmente se revoltar a princípio, mas para entender a situação. E em um dos milhares de finais descobre a verdade opressora da empresa.
Digo milhares, pois este é um game com múltiplas rotas, algumas interligadas levemente, e todas elas tentando apresentar algo relevante, por mais que não se note de primeira. Algumas vão ser confusas, outras surreais ou talvez você só ria de algo engraçado. Eu entendo, até porquê eu não sei se consegui captar tudo desta obra prima. E para falar melhor de cada detalhe, desse ponto em diante teremos alguns leves spoilers. Afinal, tudo no jogo são finais.

Negar política nele é impossível. Fora o final da corporação do mal, temos problemas familiares, um conflito de dominância com o narrador, um museu de inutilidades, a constante lembrança e chacota dos atos do jogador e reclamações incessantes da indústria dos games e ações diversas.
Sua versão deluxe não está muito longe disso, tirando sarro de doom scrolling, mostrando o ego do narrador, a desimportância de certos updates, o apego que temos ao material, a luta contra máquinas nos substituindo e obviamente o quanto um DLC, conteúdo pago baixável, pode ser simplesmente uma mega merda capitalista. Um punhado de dados extras que servem apenas para sugar o dinheiro do consumidor.
E dentre tudo isso, talvez os pontos mais famosos do game, que ultrapassam o limiar do nicho de indies, são a rota onde você passa por games diversos, incluindo Rocket League, da feedbacks ignorados e é presenteado com um game clicker que exige do player ficar horas e horas apertando um botão para pegar um troféu, assim fazendo ele e o Stanley se fundirem num único ser.

Meta narrativa em seu mais puro estado. Isso é, junto do outro famosinho, o troféu que somente é concedido após X anos. Sim, horas reais, anos reais. Não jogue Stanley por 10 anos e obtenha algo intangível que marca o absoluto nada. Um ótimo exemplo de que tudo e qualquer coisa pode ser gamificada. Um de muitos socos claros que explodem a quarta barreira.
Stanley Parable começa narrando a vida de Stanley e logo te dá o controle do personagem, pois o jogador, você, eu e tantos outros, a gente é Stanley. Por vezes um avatar mais do que cabível para algo realmente pertinente e pessoal. Ao mesmo tempo que é uma alegoria clara do trabalhador médio, o qual vive um loop interminável dia após dia em escalas absurdas. Novamente, eu, você, política e games.
4- Town to City

Esse é um indie que eu estou devendo review a um tempo. Um joguinho de construção de cidade, super estilizado e lindo, todo em voxel. Nele você deve evoluir de uma vilazinha até uma metrópole, só que toda pitoresca. E o game te dá um controle absurdo da parte estética, sendo possivelmente o game do ano pra mim. Perfeito pra relaxar, mas não para apagar a mente.
Town to City coloca o gênero city builder em algo menor, mais tragável, com menos problemas. Não existem guerras, não precisamos lidar com certos status típicos de Sim City e nunca vamos ser abalados por um desastre natural. E mesmo nesse estado quase minimalista, não deixa de ser político.
As pessoas ao chegarem de trem na região exigem uma moradia, típico desses jogos, mas não se mudam para qualquer lugar. Lembra o que falei da estética? Pois bem, um morador pode exigir estar mais perto de árvores, ter uma casa repleta de flores, morar isolado ou perto de um lago. Tudo isso é um problema administrativo, mesmo que lhe soe tão simples.

Só que isso é um começo. Para realmente evoluir a cidade você deve tentar agradar ao máximo os moradores, igual um presidente que se preze faria. No início é botar um ou outro ornamento, mas logo se exigem comércios, praças, abrigos de animais e até missões ocasionais mais específicas.
Isso gera pontos para você poder criar cada vez mais, até que se liberam outras cidades. Rural e litoral. Parecem simples cenários extras, mas tudo está interligado. Na roça você precisa de fazendas, para isso uma classe deve virar fazendeiro por incentivo. Você também precisa de armazéns, o mesmo vale para os comércios e temos lojas que urgem das matérias primas produzidas no campo.
Já na outra cidade o incentivo é para termos hoteis e turismo, monumentos e afins. Mas nada disso pode ser alcançado com cidadãos comuns. As lojas que se utilizam de matéria prima precisam da classe dos artesãos e os hoteis de uma classe mais rica. Logo seu trabalho é fazer com que os cidadãos mudem de classe social, tendo maiores condições, e por vez estes melhorem as outras classes por sinergia.

Tal feito se alcança, como coloquei antes, se adequando aos desejos de cada morador. Mas tem um pega aí. Enfeitar uma varanda vende a casa, mas não faz o lugar ser bom de morar. Cada pessoa, individual, não só famílias, tem suas exigências para viver de forma decente e feliz.
Falo de um serviço mais perto, boas ruas para rápido trânsito, armazéns abastecendo cada local, uma variedade boa de lojas, incluindo artigos mais de luxo ou artesanais, pontos de lazer em meio a natureza e diversão em atrações, e assim vai. Até mesmo o estilo da casa, seu tamanho e proximidades vai influenciar. E o papel de um bom governante é sempre estar um passo à frente para trazer dignidade ao povo.
Isso é política. Mas lembre, a cidade só funciona com todas as classes em sinergia, em harmonia. Não adianta investir no agro e ignorar o artesão, como não faz sentido dar o luxo aos ricaços e fazer a classe trabalhadora de escrava. Um único funcionário, sozinho, serviço longe, em escala alta. Parece, e é, uma menção a política atual do Brasil, mas também é algo que influencia no joguinho. Pois política está em tudo.
5- ElecHead

Ok, esse aqui é realmente minimalista. Em ElecHead você controla um robozinho que gera energia elétrica com o corpo. Encostou num metal, eletrifica. Esbarrou numa máquina, ativa-se ela. Isso gera um ciclo de gameplay bem intuitivo e prazeroso, com poderes extras como jogar sua cabeça vindo mais a frente. Incluindo dois finais, essa é uma ótima recomendação aos fãs de puzzle e metroidvania. E lógico, tem política.
Tem quem vá olhar o meu comentário, parar pra ver um trailer e ficar confuso. Um joguinho, onde tudo que descrevi parace, bem… tudo que há. O robozinho não fala, mal temos texto, tudo é extremamente criptico, e ainda assim o jogo tem algo a ver com política? Poxa, é isso mesmo, acertou!
Tudo em ElecHead é um mistério, mas temos um interlúdio no meio, finais, o protagonista e o cenário. Aqui infelizmente eu vou entrar em spoilers, portanto se preferir pule direto para a conclusão ou simplesmente zere o game antes, ele fecha por volta de 4 horas, e isso fazendo tudo. 2 finais e troféus.

Mas enfim. No interlúdio do game, ou seja, numa parte mais impactante por volta da metade, aparece uma cidade. O robô pisa numa plataforma e tudo é energizado. A cidade tem luz, isto é, enquanto você estiver ali imovel sem querer progredir. Pode parecer um detalhe bobo, mas pensa comigo. Você acabou de iluminar uma cidade, logo não existe energia elétrica ativa na Terra.
Só isso já é uma puta revelação. E se você está na lua, como mencionado no começo, quer dizer que a lua inteira foi industrializada para se criar uma usina de energia gigantesca. E mais, no começo do game vemos brevemente o planeta ficar sem luz. Daí junta 1 + 1 comigo, e temos, pam pam pam… O robozinho que gerava tal energia.
Logo, tudo ficou escuro quando você, o suposto heroi, passou a se mover e perambular pela lua. “Suposto”, pois na real, spoilers graves, você é o vilão ou o escravo ou a IA que deu a loca. Sim, existem diversas interpretações cabíveis, e nossa como eu adoro isso.

Bora pros finais, plural. Em ambos acontece um evento cataclísmico. Ou você dá uma de Getúlio e se remove da existência, levando a lua inteira junto, ou… você ativa uma arma de destruição em massa e aniquila o planeta terra. Uau. Extremos e extremos.
A parte armamentista fica clara quando você para pra pensar que uma porcentagem das máquinas que se ativam na lua são armas, assim levando a crer que um pedaço do nosso satélite natural era usado em prol da guerra. E talvez tenha sido dado o comando para que o robozinho detone a lua ou atire no planeta.
Eu acho que essa interpretação não condiz muito com a jornada, mas em games não estaria muito longe de algo plausível. Já o lado da IA doida faria mais sentido. O robozinho deu defeito e foi ativar os treco ou se revoltou contra a humanidade, o que ainda garante status de vilão. Ambas estando entre as ideias mais aceitas para as conclusões.

Outra possibilidade seria de o robozinho ter sido escravizado, posto a um trabalho sem fim, por ser a fonte constante de energia de um mundo em conflito eterno, vide armas. Ele então sai do posto, se revolta e faz o que descrevo no texto. Todos cenários bem politicos.
Digo isso pois estamos passando por um período de constante importuno das IAs, com as ditas big techs correndo para ver quem rouba mais informações, em prol de gerar um produto mais robusto e no caminho manipular a todos, inclusive politicamente e emocionalmente, sem contar delírios de IA. Tudo isso levando parte dos trabalhadores ao desemprego, enquanto na mão de poucos vão se concentrando riquezas e a natureza é reduzida a carvão. É uma espécie de guerra fria moderna.
Acho isso super relevante ao mostrado em ElecHead, mas também tem o lado de guerras e armamentos. Temos inclusive no Brasil um candidato à presidência que é a favor de armas. Falo obviamente de Flávio Bolsonaro, que continua o legado de seu pai. Primeiro um ajuste na liberação do porte, e agora temos em cima disso a proposta de se remover a marcação de munições. Isso fomenta o conflito. Pois a marcação é algo que garante traçar a origem da bala até o atirador e evita desvios ou vendas clandestinas. Um ponto que só beneficia bandidos e coveiros.

Já o lado de escravidão, porra, eu preciso mesmo comentar o porque é errado? Ao invés disso, de pensarmos no passado escravista do Brasil, bora traçar um paralelo moderno. Aquele funcionário em escala 6 x 1, ou pior, às vezes com horários superando as 8 horas permitidas e com salários mínimos, se não irregulares abaixo do permitido, são o equiparável a um escravo moderno. Ainda tem notícias dessa decada, que vez ou outra detalham funcionário morando no local de serviço. Por isso, e muitas outras coisas, que precisamos lutar pela dignidade do trabalhador.
E olha só, um joguinho simples, minimalista, me fez chegar a todas essas conclusões de final, ao mesmo tempo que me fez pensar, e muito, no que ocorre no mundo real e no momento específico o qual estamos enquanto escrevo esse texto. Eleições de 2026. Eu não escondo. E é por eu pensar nessas coisas, e nas possíveis consequências, que eu votei 13 no dia 25.
CONCLUSÃO

Games, não importa se triple A ou indie, tem política, muita política. Em Super Mario, um exemplo clássico seria os 2 reinos em conflito e o sequestro da princesa. Em Tetris, apesar de não claramente no jogo, tem todo o lance anterior de ser feito como um teste psicológico, o alto vício e todos os problemas para obter o game. Treta que virou livro e filme, inclusive.
Portanto temos de sair daquela máxima de “vou jogar um game pra desligar a mente”. Isso não existe. Se a ideia for relaxar, ok, tu mete um Stardew Valley que é um excelente jogo de fazenda, mas não pode desmerecer o começo que inclusive lembra o já citado Stanley Parable e muito menos as interações com o povo da vila que é parte intrínseca da experiência.
Não digo que é necessário você entender absolutamente tudo, mas a gente tem de ter uma visão crítica, analista, e tentar perceber esses pontos que envolvem política, muitas vezes para ter um aproveitamento mais amplo da obra. Isso não vai te dar dor de cabeça, eu prometo. É só notar que, por exemplo, no antigo Missile Command, você defende uma cidade de bombardeio. E isso tem teor político. Agora se quiser ir mais a fundo, você pode ver a situação da época que influenciou o jogo e porque ele foi criado e modificado para gerar lucro.

Sempre vai ter algo a mais, que pode sim ser legal de você buscar, mas notar o básico que já tá ali na tua frente é fundamental. Não podemos viver alienados da política, e temos de ter uma visão ampla acima do próprio umbigo, principalmente se você já for votante. Perceba também, fora dos games, sua classe social, sua situação, o que passa dia após dia. Não vamos cair na armadilha de “Mas minha família…”, “O tal famoso…”, “O líder da comunidade…”, “O padre…”, “Meu patrão…”. Pense por você.
E eu acho que os games me ajudaram nisso, a pensar mais, para mim, assim descobrindo o lado no qual eu sou a favor. A favor do meio ambiente, de bons salários, de uma vida mais justa, igualdade social, maiores oportunidades de emprego, facilidade de se formar, moradia própria, bons transportes, cultura e acima de tudo, contra o facismo.
Poderia me manter aqui, ainda citando milhares de jogos e motivos, mas vou parar nesse ponto, torcendo para que minha mensagem tenha chegado a você. Game é política, e pensar e viver.
